Cozinha com Borogodó?

 

sinta o Borogodó da imagem

Uma das expressões brasileiras mais faladas por aí nesses últimos anos foi borogodó, que, segundo o dicionário Michaelis, significa " um atrativo físico especial e irresistível". 

Pelos últimos 2 anos nas premiações de cinema mundiais, ficou mais do que claro, que o borogodó é uma característica única, pessoal e intransferível - vejam aí os prêmios de Fernanda Torres e Wagner Moura.

Mas o que isso tem a ver com cozinha? Tudo, e eu posso te explicar. 

Essa expressão, na prática, demonstra uma característica muito especial, carismática e difícil de esclarecer. Um gringo, por exemplo, só vai entender borogodó o dia que encontrar alguém que tem essa característica. 

O Brasil, não só por ser - talvez- a origem da expressão, é o lugar mais comum onde se encontra borogodó, mas isso não significa que ele não possa estar presente em outro país ou em outro povo ou até num ambiente. 

Os donos dele tem, normalmente, o super poder de fazê-lo transbordar por onde passam e é aí que chegamos na cozinha. Apesar de toda a pressão, todo o esforço físico e toda a capacidade de administração que uma cozinha exige, fica muito claro quando o chefe tem borogodó. 

A comida muda de sabor, o ambiente fica mais leve, os funcionários rendem mais. É inegável a diferença de se trabalhar onde quem comanda tem carisma, competência, autoconfiança e respeito em relação à quem está ali ao seu lado no dia-a-dia.

Só que, como já falei, infelizmente ele é intransferível. Eu aposto que você conhece algum restaurante que por anos foi maravilhoso mas foi só o chefe se mandar, ou se aposentar ou se ausentar por um período longo que o caldo desandou. E isso também acontece quando se transfere um negócio de pai pra filho, na maioria das vezes. 

Há quem diga: "mas filho de peixe, peixinho é". E eu concordo, EM PARTE. O peixinho aprende, é bem treinado, mas a verdadeira paixão e a disponilibilidade para tudo o que vem junto com aquilo que se criou está no coração de quem o iniciou. E exatamente por isso é que vemos alguns prósperos negócios gastronômicos irem ladeira abaixo depois de serem transferidos por gerações dentro de uma família. 

Eu mesma, já trabalhei em 2 hotéis com os chefes cheios de borogodó, mas saí, assim como quase todos os funcionários mais antigos, quando os herdeiros decidiram mudar totalmente as regras e o modo de trabalho que os trouxe até aquele momento. Agora você pensa - "mas isso é modernidade, meu amor. Você tem que se adaptar a ela!".

E então eu te conto mais uma coisa.. 

Borogodó, meu amigo, é a arte de saber o que fazer com o que está nas suas mãos. Sejam eles ingredientes, relatórios, restaurantes, fábricas ou até AI. Sejamos conscientes.

LG

Carolp

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