Mais uma edição dos Jogos Olímpicos de inverno se encerrou ontem na majestosa Arena di Verona, um dos símbolos do poder e da forca do antigo Império Romano.
Mas dessa vez foi diferente. A tradicional competição que demonstra a soberania de uma liga de atletas sobre outras deixou uma mensagem bem clara: a união é mais forte.
Milano Cortina 2026 foi a edição que menos se falou sobre quadro de medalhas e a corrida para ver qual país sairia "vencedor", pelo menos aqui na Alemanha.
Desde superações amparadas entre competidores à pódios recheados de apoios mútuos, há dois exemplos incontestáveis de uma nova forma de se relacionar com os outros. Eileen Gu e Lucas Pinheiro Braathen mostraram que "o diferente é o seu maior superpoder" de acordo com o próprio esquiador numa entrevista depois de ganhar medalha de ouro no slalom gigante.
Os dois, crianças que cresceram entre duas culturas e conseguiram com o olhar atento e aberto, ver nas diferenças suas maiores vantagens.
Desde tempos imemoriáveis dentro das relações humanas entendemos que a união se faz de semelhanças e unanimidades, encarando as diferenças sempre como vilãs.
Mas eles mostraram que é possível vê-las como diferenciais e vantagens. Ousaram se questionar... E se eu fizer outra coisa, olhar por outra perspectiva, agir de outra forma?
Tratar as diferenças culturais como superpoder é revolucionário. Em qualquer lugar.
Dentro da cozinha essa visão tende a fazer um time coeso, confiante e mais que tudo, une a magia de cada cultura para um objetivo em comum.
Numa cozinha multicultural são as diferenças que trazem um sabor a mais ao prato, um serviço especial ou uma apresentação surpreendente. Veja outro exemplo maravilhoso da cozinha do restaurante Yam'Tcha em Paris, comandado pela chefe Adeline Grattard que une com maestria duas das mais tradicionais cozinhas do mundo: a francesa e a chinesa.
Foram as diferenças que a inspiraram a criar.
Um chefe de cozinha que ignora essa visão corre o risco de cair na mesmice, oferecendo ingredientes previsíveis, num ambiente sufocado pelas tradições e sem mudanças significativas a cada estação.
As tradições, principalmente as culinárias, são muito importantes já que ajudam a formar a individualidade do ser humano. Mas a pergunta a se fazer é: até que ponto ela não nos permite ver alternativas para solucionar novos desafios?
E isso vale dentro e fora dos restaurantes.
LG
Carolp

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