Como muitos de vocês já devem ter visto, a polêmica do Noma continua firme e forte mesmo que o famoso melhor restaurante do mundo já tenha fechado suas portas há 4 anos.
Desde 2003, quando abriu, o Noma encantou clientes e inspetores do conhecido Guia Michelin, o que fez dele um dos ícones da alta gastronomia mundial. Até então, além dos tradicionais restaurantes franceses como Le Pré Catelan, La Tour d'Argent, L'Auberge du Pont de Collonges entre tantos outros de chefes também renomados, praticamente só o El Bulli (na Espanha) sustentava a fama de oferecer fora da França um menu à altura da gastronomia francesa que sempre foi a base da cozinha ocidental mantendo-se referência em apresentação de pratos, estrutura de menu e de receitas.
O Noma parecia dar vida e calor à frieza da cultura nórdica. Havia ali um coração pulsando forte para mostrar ao mundo as incríveis e, muitas vezes inusitadas, possibilidades da gastronomia dinamarquesa.
O hype foi geral. Para quem podia gastar muito numa refeição, havia ainda que esperar para conseguir uma reserva numa das 3 temporadas de menu que o restaurante oferecia. Ainda assim, a fila de espera era de meses.
Toda a excentricidade dessa experiência aumentava ainda mais com a informação de que o local onde funcionava ocupava um antigo armazém de baleias do século XVIII. Anos depois, o restaurante se mudou para um local não menos excêntrico, uma área industrial e fortificada militarmente.
Ou seja, a idéia de habitar entre a realidade e a imaginação da mente humana sempre foi um dos objetivos desse projeto. Triste, porém, que, no meio do caminho veio à público fatos reais que comprovavam que essa excentricidade não era só do projeto, mas também do chefe que o comandava.
Abusos psicológicos e rotinas de trabalho estressantes que levaram funcionários à exaustão, com sérios problemas de stress pós traumático em alguns casos, foram relatados por ex funcionários e estagiários que ainda, segundo relatos, não recebiam nem mesmo uma refeição ao dia.
Infelizmente, essa é só a ponta de um iceberg dentro da realidade das cozinhas. Em locais grandes ou pequenos essa rotina existe. E existe até hoje.
No hype, ninguém questiona como funciona o restaurante mas no meio do serviço há sinais de que nem tudo são flores. Quantas vezes os clientes de um restaurante hypado do Leblon no inicio dos anos 2000 onde trabalhei, presenciaram um ataque de pereca do chefe, hoje um famoso que apresenta um programa no GNT? Perdi as contas... Mas segundo ele, fazia parte do seu papel entreter os clientes.
Eu particularmente acredito que há outros modos de se entreter a clientela dentro de um restaurante, principalmente com a comida por exemplo. E sinceramente acho que é a mentalidade de muita gente também, caso contrário o diretor Mike Mylod não teria dirigido em 2022 o filme de horror/ humor pesado "The Menu" onde Ralph Fiennes interpreta brilhantemente um excêntrico chefe de cozinha num dia de serviço bem "diferente", digamos assim.
Ah, e qualquer semelhança com fatos reais nesse filme é mera coincidência.
Vamos combinar de começar a avaliar por outras perspectivas onde vamos comer, que tal?
LG
Carolp

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