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| Imagem:@pensadorsincero |
Outro dia, num momento de besteirol das redes sociais, me deparei com um desses memes compartilhados milhões de vezes que dizia: "Pessoal, antes de emitir opinião, verifique se você não é burro".
E essa frase me pegou de jeito. Há tempos ando notando como a visão de realidade da nova geração, a comunicação globalizada e o fácil acesso à IA vem impactando nos processos seletivos por aí.
Nas cozinhas ainda se usa o famoso processo de ver nos currículos onde o candidato trabalhou, chamá-lo pra entrevista e sugerir um dia de experiência para determinar uma contratação mas no mundo corporativo estão delegando à softwares de triagem automatizada uma escolha que deveria ser feita por um cérebro de verdade.
E aí começa aquela estória... um candidato novato faz seu currículo com o auxílio de uma IA muitas vezes exagerando, aumentando ou até fabricando qualificações para poder mostrar uma coisa que não é e passar pelas triagens automatizadas da própria IA com o objetivo de ser chamado para uma interação pessoal numa entrevista de emprego.
Parece um cachorro correndo atrás do próprio rabo.
Risadas à parte no caso da piada, uma coisa interessante a se considerar é que a burrice - identificada ou não, intencional ou não - também pode ter a sua valia.
O ponto onde quero chegar é que mesmo com tanta inteligência por aí seja ela natural ou artificial sempre há um lugar de trabalho onde ela não é necessária.
Há 2 semanas mais ou menos quase caí de costas, como diria minha avó, ao ouvir que uma colega de trabalho de uma amiga minha com um bom cargo no Banco Central Europeu não entendia onde estava o erro ao preencher o campo "telefone" de um formulário com a marca Samsung. "Uma burrice clássica", você pode pensar.
É óbvio que pode ser um lapso de atenção, uma mancada pontual no meio de um período de stress mas pelo que parece isso é mais comum do que poderíamos pensar na rotina dessa pessoa. Então fica a pergunta:"mas não tinha que ser minimamente inteligente pra trabalhar num banco, ainda mais no ECB??" Pois eu te digo, talvez no cargo dela não!
A valia está em encaixar-se no papel a ser executado. E foi isso que fiz por quase 20 anos.
Desde 2005 quando me formei num Master em gastronomia na Itália comecei a entender que ter mais habilidades e qualificações que meu chefe poderia ser perigoso para minha sobrevivência dentro da cozinha. Poucos são os chefes - de cozinha ou de corporações - que veem num funcionário cheio de potencial um aliado.
E talvez seja aí que minha história se cruza com a da moca do telefone Samsung. Ela se encaixa num papel e eu optei pelo mesmo. Ocultei do meu currículo meu diploma universitário, minhas pós graduações, os idiomas que falo. Afinal, de que adianta conhecer Epiteto, Freud ou a arte de Leonardo da Vinci na hora de bater um bolo?
Levemos conosco a lição que o que vale é o encaixe e sua funcionalidade. E isso serve pra cozinha, pro escritório e pra vida.
LG
Carolp

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