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| Fotos Degustatividade e arquivo pessoal |
Recebi com tristeza, como muitos brasileiros, a notícia do falecimento de Oscar Schmidt - o maior ídolo do basquete brasileiro de todos os tempos.
Nos idos de 2012 o encontrei, bem sem querer, na saída do estádio de Wembley logo depois da derrota do Brasil na disputa pelo ouro no futebol masculino nas Olimpíadas de Londres. Ele estava MUITO irritado. Foi ali pra fora do estádio para esperar a esposa e uns amigos que ainda ficaram para ver a premiação. Apesar da grande frustração (de todos nós, diga-se de passagem) ele ainda respirou e foi simpático conosco apesar de tudo o que acontecia no nosso entorno. Mexicanos gritando, assoprando vuvuzelas e rindo de todos os que tinham camisa do Brasil assim como a gente.
Numa breve conversa, ele diz: "Faltou garra na equipe, e é isso que me irrita tanto."
A primeira coisa que me passou pela cabeça foi - uau, que competitivo, mas claro, ele é um jogador de basquete profissional. Isso é o que o motiva.
Hoje entendo que não era só isso.
Nessas tantas homenagens que vi pelas redes sociais encontrei um discurso dele na festa de celebração dos jogadores que entraram para o Hall da Fama da NBA (USA) onde foi dito: ".... me ofereceram um contrato para jogar no New Jersey Nets e eu disse, muito obrigado. Mas se eu jogar uma partida aqui, não poderei jogar mais na minha seleção, nunca mais! Então eu recusei a NBA para poder jogar com a minha seleção. Três anos depois em 1987, vencemos os americanos aqui nos USA, sorry.. risos..."
Essa fala mostra muito que o espírito de equipe fala mais alto e chama mais à responsabilidade àqueles que compartilham seus esforços dentro de um time.
Oscar citou muitas vezes em entrevistas que sua parte de contribuição para a equipe era feita com muito esforço, treino e determinação.
No esporte esse caminho de dedicação e trabalho árduo é claro e evidente. Na cozinha há ainda muita gente que acredita que o talento, por si só, é um atalho ou que a sorte faz toda a diferença.
Mas posso te dizer que é TUDO IGUAL. O esforço, a dedicação, a determinação, a obstinação e a ambição de de chegar num determinado lugar é o que faz o cozinheiro, de forma individual, se aprimorar cada vez mais para, dentro do grupo, dar o seu melhor e, como equipe, chegar ao objetivo.
O primeiro Souschef com quem trabalhei no restaurante Antica Zecca em Caselle Torinese na Itália me disse um dia, quando numa pausa um dos mais talentosos cozinheiros da equipe, depois de uma breve discussão saiu nervoso dizendo que não queria mais falar com ele: "Não se preocupe, lá dentro (da cozinha) somos uma equipe e vamos trabalhar juntos, aqui fora ele não precisa querer falar comigo". Ressaltando que as diferenças fora do "jogo" não devem interferir no objetivo da equipe.
Foi uma grande lição, pra mim, de como pode ser complexo esse trabalho em equipe.
E não para por aí, outro exemplo disso veio na quinta-feira dia 16 Abril, numa entrevista pós premiação do Guia Michelin no Brasil onde o restaurante Evvai ganhou 3 estrelas do renomado guia o chef de cozinha Luis Felipe Souza e a chef confeiteira Bianca Mirabili mostraram exatamente o mesmo espírito de equipe de Oscar e do Souschef Simone, deixando escapar entre agradecimentos e emoções que haveria uma comemoração com a equipe, mas que sim, ainda tinham muito trabalho a fazer. Ainda mais agora com 3 estrelas para sustentar.
Meus cumprimentos à eles que, pelo visto, tem uma clara visão do trabalho em equipe.
O TRABALHO de um time é sempre sustentado pelos pilares individuais. E cada pilar deve saber cumprir a parte que lhe cabe. Mas o ESPÍRITO de equipe é uma construção coletiva onde a confiança une cada parte.
E isso vale dentro e fora da cozinha.
LG
Carolp

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