Dia do Trabalho.... mas qual deles?

 


Um paradoxo não trabalhar bem no dia do trabalho!

Já ouvi isso tantas vezes que até parece a famosa piada do pavê.

Acontece que a gente olha pro trabalho e enxerga nele sua importância na medida em que é remunerado. Engraçado, por um lado é óbvio que se está trabalhando quando se ganha por um serviço e por outro não é tao óbvio assim quando ele, apesar de ser feito do mesmo modo e com a mesma disposição de tempo e energia, não é pago. Nem com dinheiro, nem com permuta.

Tenho certeza que todo empreendedor de qualquer área tem uma clara visão sobre trabalho, muito mais ampla e dimensionada do que só aquela ideia de acordar cedo durante a semana para ir pra um lugar, responder emails, marcar reuniões, eventualmente decidir algumas coisas e no final do dia fechar seu laptop e ir pra casa descansar.

Na gastronomia há muito trabalho não pago por trás do trabalho oficial e remunerado. É o tempo que se usa para reprogramar uma direção, um novo posicionamento. É a energia gasta em pensamentos e reflexões (com ou sem inspiração) para um novo cardápio. São as noites mal ou nem dormidas reajustando e administrando contas ou arrumando um equipamento de uso expressivo no dia-a-dia. É o precioso tempo de relaxamento com a família que vai pro espaço quando se tem que finalizar um menu de modo a perder menos e ganhar mais. É aquela festa que não se aproveita porque tem muito trabalho a ser feito para ser enfim, remunerado.

Há quem diga que isso tem outro nome: Dedicação. Mas eu te explico, é trabalho mesmo.

Dá o mesmo trabalho que um trabalho... na verdade, dá até mais - às vezes.

Curiosamente, conheço gente que tem tanto respeito pelo trabalho, que já escolheu mais do que uma vez em sua carreira ter ao seu lado como assistente num escritório, um ex-empreendedor (no caso, ex-empreendedor da gastronomia) porque sabe que esse valoriza um serviço.

De acordo com o dicionário Aurélio, trabalho é a aplicação das forcas físicas ou intelectuais para alcançar um objetivo, realizar um tarefa ou exercer uma profissão. Então por que ignorar o trabalho oculto dentro de um novo restaurante, por trás de um novo posicionamento de uma marca local, na base de uma ideia inovadora para um produto/serviço feito pelo bar ali da esquina? Por que ignorar o trabalho indefinidamente exaustivo de uma mãe?

Ah, e não nos esqueçamos que delas vem as tantas inspirações de cozinha daqueles que exercem suas profissões de cozinheiros num trabalho remunerado.

É um debate longo e profundo que provavelmente não vai chegar a consenso nenhum. Porém a única coisa que não podemos esquecer é que o trabalho - na gastronomia ou fora dela - é dinâmico e poliforme. Vamos celebra-los todos!

LG

Carolp.


Comentários