E se a gente simplesmente desistisse de provar valor a quem não quer vê-lo?
Eu acredito que, em determinados casos, desistir é a maior atitude de coragem que alguém pode ter.
Tenho certeza que você, assim como eu, já teve ou ainda tem um chefe que nunca se contenta com o que podemos oferecer. Independentemente da qualidade, rapidez ou importância daquilo que cada um é capaz de criar/ elaborar/ inventar/ administrar.
É como se, para chegar num objetivo - a aprovação do chefe - estivéssemos diante daquela antiga atração de parques de diversão - a casa dos espelhos. A cada curva, uma surpresa.
Às vezes há uma saída intermediária que, contudo, não nos ajuda na próxima etapa. Outras vezes um espelho que nos devolve a atitude, em alguns casos deformados em outros faltando um pedaço. Muitas vezes essa devolução é uma resposta até elaborada só que sem resultado real nenhum. Em outras situações ainda, à nossa frente há um vidro por onde é até possível ver os resultados dali pra frente, mas você é impedido de seguir em frente.
Ou seja, há ocasiões onde ficamos de mãos e pés atados frente a uma pessoa que está ali supostamente para te apoiar e te ver crescer junto com a equipe. Mas.... #Sóquenão. Essa porta do crescimento simplesmente não abre. Nem pra gente nem pra equipe com quem trabalhamos.
Digo por mim, fiz um Master em Gastronomia com especialização em Pâtisserie, dediquei 7 anos da minha carreira somente à fabricação de chocolates, fiz cursos na Bélgica e na França só sobre esse assunto, mas mesmo com todo esse background tive uma chefe que NUNCA aprovou um bolo de chocolate que fiz.
Foram muitas versões: bolo de chocolate tipo nega maluca, sponge cake de chocolate, brownie, pastel de chocolate mexicano, petit gateau e nada... nada ficou à altura da expectativa dela - ou seja, nada saiu melhor do que uma receita que ela usava, uma receita sugestão/dica do pacote de chocolate em pó.
Hoje em dia é mais fácil enxergarmos esse tipo de situação dentro e fora da cozinha. Temos emails e atas de reunião, que podem registrar as tentativas de melhorar ou executar uma tarefa. Mesmo assim, a decisão de não mais "bater a cabeça a contra a parede" ainda é muito difícil.
Veja o exemplo de Eric Jacquin, o famoso dono do bordão: "Falta tompero!", um chefe de cozinha que insistiu muito em provar que era bom. No entanto o fez talvez pra quem não o queria valorizar ou simplesmente não o entendia. Faliu alguns restaurantes, esteve à beira de desistir, mas hoje está presente em programas de televisão fazendo o que sabe, mostrando seu talento, ensinando sua técnica e feliz.
Sempre vai ter quem torce / gosta de você e quem não gosta e torce contra. Em qualquer ambiente, em qualquer profissão, em qualquer ocasião.
Talvez o jeito de dar certo seja simplesmente desistir da aprovação total, dar um passo pra trás e... pegar impulso pra saltar ainda mais longe.
Isso tudo, dentro ou fora da cozinha.
LG
CarolP.

Isso tambem pide aer visto como nao pago o preco desta aprovacao
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